Lakshmi, A Deusa da Fortuna

Lakshmi
Deusa Lakshmi significa “boa sorte” . A palavra “Lakshmi” é derivado da palavra em sânscrito Laksya, que significa ‘fim’ ou ‘meta’, e ela é a deusa da riqueza e prosperidade, tanto material como espiritual. Ela é a deusa do lar da maioria das famílias hindus. Lakshmi é representada por uma mulher bonita de pele dourada, com quatro mãos, sentada ou em pé sobre uma flor de lótus desabrochada e segurando um botão de lótus – que representa a beleza, pureza e fertilidade.

A trindade hindu, responsável pela criação, manutenção e destruição do universo material, é composta por Brahma, Visnu e Shiva. Entre eles, Visnu é tido como o supremo, pois, com poder e inteligência infinita, Ele mantém infalivelmente todas as coisas. Sabemos que criar não é tão difícil, destruir é fácil demais, porém, manter sempre a ordem das coisas é uma tarefa bem mais complexa – não para Visnu que tem como Sua consorte, sempre aos Seus pés, Sri Laksmi, a desejada deusa da fortuna. Se Ele não fosse Laksmi-pati, o Senhor da deusa da opulência espiritual, como teria condições de manter esse mundo?
Para entendermos melhor o casal Laksmi e Visnu (ou Narayana), temos que primeiramente entender o casal Radha e Krishna, pois, assim como Visnu é uma expansão de Krishna, Laksmi é uma expansão de Radha.Em outras palavras, quando está no mundo espiritual desfrutando de Seus passatempos íntimos com Seus associados, Deus é Krishna. Nessa forma original e íntima conhecida como Krishna ou Govinda, Ele é um vaqueirinho sapeca, um exímio flautista que atrai o amor de todos os habitantes de Goloka Vrindavana com Suas canções melodiosas todo-atrativas, principalmente o amor imaculado de Radha, Sua principal consorte. Em outras palavras, conhecer Radha e Krishna seria como conhecer Deus em casa, à vontade, do jeitinho que Ele é, e acompanhado de Sua principal potência de prazer. No caso de Laksmi-Narayana, ainda é o mesmo casal, porém no humor de trabalho (a obra de criar e manter os universos). Nesse caso, Eles manifestam opulências magníficas.Nesse humor, Eles são adorados com menos intimidade e mais temor e respeito. Agora, vamos à Laksmi…

Por razões óbvias, Laksmi, a deusa da fortuna, é a mais cobiçada entre as deusas. Sendo Visnu-shakti, a potência de Deus, Ela é representada como a energia da multiplicidade. “Sri” ou “Laksmi”, conforme retratada nos Vedas, é também a deusa do poder e da beleza. Segundo os Puräëas, em Sua primeira encarnação na Terra Ela foi a filha do sábio Bhrgu e sua esposa Khyati. Sendo a consorte de Visnu, Ela sempre nasce como esposa Dele onde quer que Ele encarne. Quando Ele apareceu como Vamana (o anão), Parashurama, Rama e Krishna em Dvaraka, Ela apareceu como Padma (ou Kamala), Dharani, Sita e Rukmini.
Geralmente descrita como encantadoramente bela e de pé sobre um lótus, Laksmi, adornada com uma guirlanda de lótus, também segura um lótus em cada uma de suas duas mãos. Frequentemente aparecem elefantes de ambos os lados, derramando jarros d’água sobre ela, os quais representam as donzelas celestiais. Sua cor é descrita como rósea (refletindo Sua compaixão por todas as criaturas), amarela ouro (como fonte de toda opulência) ou branca (a forma pura da natureza da qual o universo se origina). Enquanto na companhia de Visnu, Ela é mostrada com apenas duas mãos, quando adorada num templo Ela Se mostra com quatro mãos segurando o lótus, a concha, o pote de néctar e a fruta bilva– que significam seu poder de conceder dharma (retidão, justiça), artha (riqueza e bens), käma (prazeres carnais), e moksha (liberação), respectivamente. Quando retratada com oito mãos, adicionam-se o arco, a flecha, a maça e o disco.Este, na verdade, é Seu aspecto como Durga. Seu mantra proporciona riqueza: om sri maha-laksmiyai namah. Portanto, na Índia, o dinheiro também é chamado de laksmi.

Seu profundo drama
Apesar de ser a esposa de Visnu, Laksmi Devi é uma elevadíssima devota de Krishna, e, por isso, Ela vive um grande drama. É sabido por todos os Vaishnavas que sem a misericórdia de Radharani ninguém obtém a oportunidade de servir a manifestação original de Krishna que executa variados passatempos em Vrindavana.
Em Sua forma original Krishna é possuidor de uma beleza inigualável, conforme descreve o Brahma-samhita: venum kvanantam aravinda-dalayataksham barhavatam samasitambuda-sundarangam kandarpa-koti-kamaniya-vishesha-shobham… Sua beleza excede a beleza de milhões de cupidos! Com Seu corpo curvado em três partes e criando canções irresistíveis em Sua doce flauta, Ele é todo-atrativo e completamente encantador. Desse modo, ao ver tamanha beleza, Laksmi Se torna atraída, mas, Sua condição não permite que Ela obtenha a oportunidade de se associar diretamente com Krishna. Isso acontece devido ao fato Dela não conseguir atrair a misericórdia de Radharani. E por que a bondosa Radha não Se inclina a agraciar Laksmi?…
Laksmi Devi é serva de Narayana, que, por Sua vez, é a manifestação de opulência de Krishna. Em Vrindavana, Krishna possui uma forma adequada para a execução dos passatempos mais doces, e que são executados com profunda intimidade, ao passo que nos planetas espirituais Vaikuntha, Narayana possui a forma dos passatempos de opulência, que ocorrem no humor de respeito e reverência. De forma similar, Radharani é madhurya-mayi, perfeita para intercambiar uma relação doce com Seu amado Krishna, enquanto Laksmi é aisvarya-mayi, adequada para servir a Narayana com um humor majestoso. Seu drama é que Ela anseia muito por servir Krishna e participar da rasa-lila, o passatempo mais íntimo de Krishna, quando Ele dança extaticamente na floresta encantada com as vraja-gopis, as donzelas pastorinhas de Vrindavana – um passatempo da mais inimaginável doçura conjugal. Contudo, Laksmi não consegue ser admitida a este círculo íntimo, pois seu humor de adoração em opulência e majestade (aisvarya), que se manifesta como excessivo respeito e reverência, não permite. Portanto, Ela serve eternamente a forma aisvarya de Krishna, – ou seja, Narayana – massageando Seus pés de lótus, e fazendo de Seu peito Sua residência eterna.

cintamani-prakara-sadmasukalpa-vrksha-

lakshavriteshu surabhir abhipalayantam

laksmi-sahasra-shata-sambhrama-sevyamanam

govindam adi-purusham tamahambhajami

“Eu adoro Govinda, o Senhor primordial, o primeiro progenitor, que está cuidando das vacas que satisfazem todos os desejos, em moradas construídas com jóias espirituais (pedra filosofal), cercadas por milhões de árvores-dos-desejos. Ele está sempre sendo servido com grande reverência por centenas de milhares de laksmis ou gopis”.
Nesse verso, podemos ver que as gopis, ou pastorinhas de vacas, as devotas mais avançadas de toda a criação, e que estabelecem um relacionamento conjugal com Krishna, são descritas também como laksmis, no sentido de que são tão perfeitas e belas que são verdadeiras deusas da fortuna. Somente elas, devido à sua plena rendição a Radharani, e consequentemente à Sua misericórdia, conseguiram penetrar no círculo íntimo darasa-lila de Krishna.

 

 

 

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